domingo, 28 de novembro de 2010

"O Conto Da Vida"



O conto que conto
encanta e desencanta
qualquer cântico de dor.

Pois o amor com que faço
um esplendor nesta poesia,
vai moer toda a dor do dia-a-dia
pra encantar este conto
em que me encontro.



“Nanopoesia” (2005-2007, inédito)

"Marisco No Deserto"



De certo, arrisco
qual marisco
em areias fumegantes
sem trincheiras.

Não há boas maneiras
nem pessoas de leva-e-traz.

Há muito mais:
tua boca cheia de beijos quentes
feito areia onde o marisco se enrosca
só pra fazer chover saliva.




“Nanopoesia” (2005-2007, inédito)

"Microscopia"




Sanados dejetos
na grande extinção,
não vai ter cristão
que salve su’alma.

É só transição
este mundo tão vago
quanto uma simples goiaba.

É o que nos contam
os micróbios gelados
adormecidos por céus de chão.




“Nanopoesia” (2005-2007, inédito)

"Doce Heresia"



Da ternura que te faço,
em cada sonho que componho,
surge um sentimento nobre,
tão pecado, tão de cobre,
que só vem pra atazanar.

Mas, silente frente ao sonho
me enfadonho de poesia
pra nutrir a tua imagem
com desejos constrangidos
que adoçam esta heresia...



“Nanopoesia” (2005-2007, inédito)

"Paradoxal"




Da tormenta, faço o sol,
Do mamute, um rouxinol,
Imaginação infinda.

Do açúcar, faço sal
Do que é raso, um abissal,
Imaginação e tal...


Deste espaço, faço tempo
imaginando o bom momento
em que volto ao teu abraço
e tudo fica certo, então...



“Nanopoesia” (2005-2007, inédito)

"Flavinha"



Fostes cedo, mas ficastes
na memória de quem está,
na saudade deste tempo...

Tanto mais, sobra pra nós
os momentos em que a vida
é porta-retrato de lembranças.

Fostes jovem, mas estás
no coração de quem lembra
com o carinho que não jaz...



“Nanopoesia” (2005-2007, inédito)

"Sombrio"




Luz voraz que vem cegar-me
no prazer da claridade
clandestinamente...

Luz incandescente
opaca, opala, fluorescente,
abraça-me...

Traz claridade ao infortúnio
com intuito de ser luz
e dar vida à minha sombra...



“Nanopoesia” (2005-2007, inédito)

"A Beleza Da Negra"




A savana em seu corpo
incendeia-se: a vida recomeça.
Paisagens vegetais
que estimulam meus olhos
tanto quanto uma mulher.

Florestas que enfrentam desertos,
de certo que fico absorto.

A beleza que agiganta o continente
não esconde o abandono
de uma gente desnudada...



“Nanopoesia” (2005-2007, inédito)