quarta-feira, 12 de junho de 2019

A Sensatez Insólita De Toda Dor


Toda dor é amarga, constante e contundente,
alimentada por noites vazias
e por dias desprovidos de luz e direção.
O sabor de toda dor é sentido no peito
e percebido na mudez
que se apropria do tempo.

Toda dor não é vaga, tampouco desimportante,
navega por meandros imprecisos
e afluentes que se perdem no curso da vida.
Toda dor é crescente e inversamente proporcional
ao vazio do qual se alimenta.
Não fica estática ou absorta,
nem se acomete de esquecimento.

A dor fere, a dor sangra,
cria uma chaga, vira carbúnculo,
nos cala e consome, nos “desajuíza”, quase elimina.
Mas existe um sentido na dor que machuca,
perturba e deturpa o rumo dos dias:
uma hora, essa dor alivia
e depois, sem rancor, nos ensina. 

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